Redação

26 abril 2019

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6º ENUNE convoca defesa pelas COTAS e contra reformas

Após dois encontros realizados no estado, São Paulo mobiliza a maior bancada do evento nacional 

 

O feriado da Páscoa foi um marco importante para o movimento estudantil. Durante os dias 19, 20 e 21, foi realizada a 6ª edição do ENUNE ( Encontro de Estudantes Negros e Negras da UNE) na UFF ( Universidade Federal Fluminense). Foram três dias intensos de debates intensos e uma luta conjunta e unitária entre todas as forças políticas contra o racismo.

O estado de São Paulo, que já contou com dois encontros de estudantes negros e negras, em 2016 e 2018 teve a maior bancada do Encontro com mais de cem estudantes.
Marcelo Correia, secretario estadual de juventude da UNEGRO e estudante da Faculdade Zumbi dos Palmares, observa que o local escolhido para sediar o encontro foi emblemático, uma vez que o estado do Rio de Janeiro tem sido palco de violências raciais cotidianas.
” O Encontro foi a resistência ao governo fluminense e o federal também! E foi muito bonita a unidade no movimento negro estudantil com o objetivo de combater o racismo na sociedade. Além disso, houve consenso que os debates forma muitos ricos e saímos com o intuito de fortalecer os coletivos negros universitários”, avalia Marcelo.
Para Fabrício de Moraes , diretor do Núcleo de Consciência Negra da PUC de Campinas o 6º ENUNE,  foi um marco na história do movimento estudantil e a contribuição de São Paulo foi fundamental pois mostrou que no estado mais racista do país a resistência estudantil está cada vez mais com a cara preta. “Espaços como o ENUNE são incríveis quando contribuem para elevar o nível de consciência da juventude negra que está na universidade, se depender de SP a Quilombagem continua”,  finaliza Fabrício.
Mulheres Negras
Diversos debates durante o Encontro  permearam as questões que envolvem as mulheres negras no ensino superior e na sociedade.
De acordo com Tayná Wine, diretora da UEE-SP,  as mulheres negras são as que mais evadem da universidade – apenas 10% conseguem se formar. ” São as que mais precisam ajudar financeiramente os seus lares, sendo assim as políticas de permanência são essenciais”.
Dessa forma, o movimento estudantil deve intensificar sua luta pelos programas de acesso, como o ProUni, as cotas raciais e sociais e a permanência estudantil.
Além disso, Reformas Trabalhistas e da Previdência impactam muito as mulheres negras, do que qualquer outro setor da sociedade, e para isso a luta dos estudantes se expande contra os retrocessos do governo Bolsonaro.
Confira a “Carta de Niterói”, documento que sintetiza as lutas e discussões do encontro.
Em trecho da carta, é ressaltada a urgência na defesa das cotas raciais nas universidades:
“É importante ressaltar que as estudantes oriundas das políticas afirmativas trazem novas perspectivas para as universidades, tendo excelentes desempenhos acadêmicos, contrariando a retórica anticotas. As Universidades não são uma propriedade da elite branca. Elas são públicas, e como públicas devem barcar os diversos grupos que compõem a nossa nação”.
O texto ainda propõe à UNE e ANPG a criação de mecanismos de maior comunicação e interação dos coletivos negros, em Universidades públicas e privadas, com o objetivo de construir agendas de luta em defesa das pautas dos estudantes negros e cotistas.

Por Sara Puerta

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