Redação

09 abril 2014

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A luta continua

UEE São Paulo participa da maior greve do Centro Paula Souza

 

Dia 17 de fevereiro teve início a maior movimentação já vista entre os estudantes funcionários, professores do Centro Paula Souza. As FATEC’s e ETEC´s entra- ram em greve, chegando a atingir até 56% da rede. Os docentes e os trabalhadores reivindica- ram um plano de carreira que permitisse apoio à pesquisa, tempo de serviço e adequação do salário, entre outros direitos. O projeto que o governador Geraldo Alckmin apresentou à Assembléia Legislativa no dia 28/2, não agradou a categoria e possuía enormes falhas, como uma licença maternidade de apenas 120 dias. E,  finalmente, no dia 26/3 foi aprovada na Assembléia Legis- lativa o projeto adequado. Uma grande vitória que só foi possível por conta da grande mobilização ( a greve oficialmente acabou no dia 27/3 em toda a rede).

“Sem a greve o projeto de lei para nossa carreira não teria se materializado. Vamos seguir lutando por alguns benefícios, como da licença maternidade, e agora com as lideranças estudantis vamos reivindicar a redemocratização do Centro Paula Souza, com eleição para os cargos da diretoria”, diz Silvia Elena de Lima, presidente do Sinteps (Sindicatos dos Trabalhadores do Centro Paula Souza).

Silvia destaca também a união das categorias, somada ainda à força de luta dos estudantes. Os “fatecanos” (alunos da faculdade de tecnologia) se organizaram de forma inédita e o recém fundado DCE FATEC – que tomou posse em janeiro – não apenas se solidarizou à causa dos professores e funcionários, como partiu

para a luta organizando diversas ações.

Realizou assembléias com estudantes em cerca de 30 unidades pelo estado – enfrentando resistência, construiu grandes manifestações na capital, “perseguiu” o governador em suas visitas pelo interior e realizou reunião com secretários.

“Há cerca de um ano estávamos pautando mudanças necessárias nas FATEC´s, elaborando um plano para reivindicação de estruturas adequadas e assistência estudantil. E a greve foi a oportunidade de se unir e organizar um grande movimento por essas causa também”, diz Carina Vitral, presidenta da UEE – São Paulo.

O governo do estado utiliza as faculdades de tecnologia e as escolas técnicas como uma das suas principais obras na propaganda política, e as mostra como um modelo de educação, porém, o que se encontra na realidade, é uma contradição entre o que é mostrado no comercial e o estado real dos prédios e o seu escasso investimento no ensino tecnológico.

“Uma faculdade de tecnologia que não possui wi-fi liberado apresenta um atraso quanto à formação que oferece. Isso é totalmente obsoleto”, acrescenta a presidenta. Os estudantes das Fatec´s também vem, em esmagadora maioria, de escola pública, e por suas condições sociais, precisam conciliar trabalhos e estudos. Não há qualquer investimento em assistência estudantil, para que esses alunos priorizem o término do curso. Em alguns cursos a evasão alcança a marca assustadora de 60%.

AUSÊNCIA DE PESQUISA

 

De acordo com o fatecano Henrique Domingues, diretor de Universidades Públicas da UEE – São Paulo e diretor do movimento estudantil do DCE da FATEC, existem problemas quanto a falta de incentivo à iniciação científica que impedem que as universidades tecnológicas evoluam, perdendo assim um dos pilares da educação, que é a pesquisa. “Em vez de formarmos para o desenvolvimento do estado de São Paulo, os tecnólogos vão, em grande maioria, atuar como mão de obra em empresas privadas. Não formamos para a inovação e para o setor tecnológico, que é a chave para o crescimento econômico e desenvolvimento”, afirma.

As faculdades são completas quando oferecem o ensino, possibilidade de pesquisa (para inovação) e extensão. “Nas FATEC´s não há quase nenhuma pesquisa e zero de extensão”, complementa. Na rede estadual conta com cerca de 64 mil alunos, e estão disponíveis apenas 80 bolsas para iniciação científica. Henrique também aponta que os professores, por não terem um plano de carreira, não são incentivados à pesquisa, o que dificulta a captação de bolsas. E ainda recebem por hora-aula, e assim, procuram outras atividades para complementar a renda, e não sobra tempo para se dedicar ao aprimoramento e inovação.

De acordo com a presidenta do Sinteps, apenas 10% do quadro docentes possuem contrato que favorecem ao aprofundamento do ensino e pesquisas. Mesmo com carência de incentivos aos estudantes, docentes e funcionários, o perfil dos alunos e dedicação dos professores, as FATEC’s e ETEC’s, algumas unidades possuem  nota 5  no ENADE (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).

NA LINHA DE FRENTE

De acordo com Arthur Miranda, presidente do DCE- FATEC, esse movimento tornou-se histórico, pois foi aberto um canal de comunicação, até então inexistente.

Durante as visitas da agenda do governador Geraldo Alckmin por Bauru, Jaú e Americana, diretores e representantes da UEE–São Paulo e do DCE-FATEC organizaram atos, sendo que nessa última cidade, o governante sucumbiu a pressão dos estudantes e os recebeu, o que gerou  uma reu-nião com o secretário de desenvolvimento econômico Rodrigo Garcia, com Davi Zaia, da  gestão pública e Laura Laganá,  superintendente do Centro Paula Souza, que se comprometeu a receber o DCE FATEC uma vez por mês.

“A resposta deles sobre a liberação do Wi-Fi e  mais investimentos em  bolsas de  permanência de pesquisa não nos agradou.Disseram  não ter orçamento  suficiente, e isso não responde nossas reivindicações, pois sabemos que esse dinheiro, na verdade está comprometido com a eleições e  expansão eleitoreira”, aponta Arthur.

Ocorreram quatro  grandes atos durante a paralisação: no dia 21/02 em frente ao Centro Paulo de Souza. Na semana seguinte, dia 26/02 aproximadamente 5 mil pessoas marcharam até a Alameda Santos, para o prédio da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento, dia 11/03, 3 mil manifestantes seguiram para a Alesp, para pressionar a aprovação das emendas e por último no dia 26/3, primeiro dia da Jornada Nacional de Lutas da Juventude, em que os estudantes foram do MASP à Assembléia, encontrar com os professores e funcionários , para assistirem a votação que foi unânime quanto a aprovação do plano de carreira.

“É necessário organizar os fatecanos de todo o estado, e esse tem sido o nosso desafio. Nó não vamos parar até conseguir mais tecnologia, mais assistência estudantil e incentivo à pesquisa.Vamos à luta pela transformação das 56 FATEC’s em Universidade Tecnológica Paulista”, enfatiza o dirigente.

Problemas na FATEC

  • Falta de campus próprio em diversas unidades
  • Laboratórios defasados
  • Laboratórios fechados
  • Falta de cantina em Botucatu, Sorocaba, Americana e outras unidades
  • Materiais estocados sem funcionários para seu manuseio
  • Diversas unidades da FATEC’s, sem prédios próprios (entre elas Marília, Catanduva, Cruzeiro, Guarulhos e São Bernardo do Campo)
  • Falta de liberdade para o Movimento Estudantil

ENTENDA O PLANO DE CARREIRA

  • Retroatividade
  • Jornada Definida Para Docentes
  • Inclusão da Política Salarial
  • 3 Níveis de Cargos para Todos os Funcionários
  • Fim da Avaliação de Desempenho
  • Auxilio Maternidade de 180 dias
  • Plano de Saúde

221 – ETEC´s

56 FATEc´s

20 mil professores

3 mil funcionários

64 mil estudantes

 

por Sara Puerta

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