Redação

23 abril 2019

Nenhum comentário

Deputados criam CPI para acabar com autonomia das universidades

Estudantes se mobilizam para barrar o processo que ataca e criminaliza as gestões e retira sua liberdade

 

Por Sara Puerta

 

Os constantes ataques à educação por meio do governo federal, agora alcançam também as universidades estaduais paulistas com a instauração de uma CPI na Assembleia Legislativa, com o intuito de investigar os recursos utilizados na administração, porém com a motivação disfarçada de  acabar com o que eles chamam de ” aparelhamento da esquerda” nas universidades públicas do estado.

Criada pelos parlamentares Wellington Moura (PRB),vice líder do governo na Câmara, e e Carla Morando (PSDB), líder do seu partido na Assembleia, a CPI foi divulgado no Diário Oficial dessa segunda feira, dia 22.04, com o texto de que  que a medida tem como objetivo “investigar irregularidades na gestão das universidades públicas”.
Porém, em declarações, o deputado do PRB, afirma que CPI visa combater o “Marxismo Cultural” das universidades e intervir nas escolhas dos reitores, mudando o sistema atual
 A “onda” de combate ao tal pensamento de esquerda na instituições , que beira uma ameaça fantasma, ficou ainda mais evidente quando o novo ministro da Educação,  Abraham Weintraub, e em sua posse enfatizou dizendo que é preciso “vencer o marxismo cultural nas universidades”.
O reitor da Unicamp, Marcelo  Knobel, já se pronunciou sobre o assunto e afirma que dizer que há total falta de conhecimento de como funcionam as universidades.  “Temos pessoas de esquerda e direita convivendo com relativa tranquilidade. Somos um espaço para ideias e debates e respeito pelos ideais dos outros”.
Para Nayara Souza, presidenta da UEE-SP, a CPI tem como pano de fundo intervir na indicação dos reitores,na autonomia e na sua liberdade, na  gestão de recursos e criminalizar as atuais administrações, em vez de resolver questões muito mais importantes para a sobrevivências dessas instituições.
” As Universidades púbicas sofrem com falta de recursos,mesmo com sua expansão recebem o mesmo valor do ICMS há mais de vinte anos, sendo que é um imposto flutuante, e porque em vez de tentarem oprimir a liberdade de atuação das instituições, não pensam em mais recursos e um novo modelo de financiamento”, avalia.
Para Bianca Borges, diretora do DCE Livre da USP e vice-presidente da UNE em São Paulo, em um artigo para o site da UEE-SP escreveu que essa “caça” a uma suposta hegemogia ideológica no cenário educacional, pode gerar consequências definitivas para as instituições de ensino, ao inviabilizar sua autonomia. “Comprometerá a realização das pesquisas, que serve à formulação de políticas públicas que contribuem para a melhora da qualidade de vida da população, a formação profissional e crítica  e dos estudantes, além de ameaçar a gratuidade do ensino superior e seus programas, que possibilitaram a democratização do acesso , além do livre debate de ideias.

Reitores

Os parlamentares que se mobilizam pela CPI, em uma clara tentativa de intervir na autonomia administrativa das universidades, também querem alterar o modelo de escolha dos reitores.Hoje, ela é baseada em uma lista tríplice, enviada ao governador, que é quem nomeia o representante ao cargo.

A lista é construída por meio de uma eleição entre a comunidade universitária, sendo que os votos dos professores tem mais peso.

Com a CPI, a lista pode ter indicados do governo, dos deputados e pela comunidade universitária. A partir disso não precisa refletir muito para entender que a eleição será um jogo de “cartas marcadas”

O deputado Wellington Moura (PRB), autor da CPI já declarou que pretende fiscalizar as questões ideológicas  que ele acredita que interferem no orçamento.

“ Eu percebo um predomínio da esquerda nas universidades. Infelizmente, muitos professores levam mais o tema ideológico do que o temático para a sala de aula”, completou o parlamentar.

A partir dessas declarações, os ataques serão constantes e a tentativa de desmoralizar as gestões se intensificam. Cabe a nós estudantes, nos mobilizarmos contra a CPI das Universidades e tudo que implicará para o ambiente, desenvolvimento e liberdade universitário

A UEE-SP lança a campanha “Em defesa da autonomia e da liberdade nas universidades” e convoca os estudantes  a construírem uma grande mobilização.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *