Redação

24 abril 2019

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Deputados, estudantes e associações cobram clareza nos objetivos da CPI

Primeira reunião foi marcada por manifestações e desavenças entre deputados, que exigem especificidade quanto às investigações

O auditório Tiradentes da Assembleia Legislativa de São Paulo contou com uma reunião acalorada na tarde dessa quarta-feira, 24.04. Recebendo a primeira reunião da CPI da Gestão das Universidades Públicas, que já nasceu controversa, por declarações do deputado estadual Wellington Moura (PRB), autor do texto da CPI e eleito presidente da Comissão, nessa sessão.
O texto publicado no Diário Oficial diz que medida tem como objetivo “investigar irregularidades na gestão das universidades públicas”. Porém, em declarações à imprensa, o deputado do PRB, afirmou que pretende investigar o aparelhamento da esquerda nessas instituições que interferem na transferência dos seus recursos.
As deputadas Isa Penna ( PSOL), Maria Isabel Noronha (PT) e  Erica Malunguinho (PSOL) exigiram uma retaliação e uma republicação do texto da CPI, com clareza do objeto de investigação, para entendimento da sociedade.
O deputado Moura respondeu que o texto da CPI  não aponta a questão do aparelhamento ideológico nas universidades, e que se trata de uma opinião pessoal . Sendo assim não iá investigar questões ligadas à ideologia, mas seguirá com a apuração das contas.
A deputada Erica Malunguinho rebateu a fala do parlamentar. “Deputados têm responsabilidade e não podem dizer a esmo a sua opinião, principalmente após a autoria de uma CPI, pois dessa forma influenciam investigações e opiniões.”
Beth  Sahão, deputada pelo PT, acionou no dia anterior o Tribunal da Justiça, com o objetivo de suspender a CPI uma vez que seu objetivo é vago e aparenta ter outra intencionalidade.
“Por que colocar a investigação das universidades na frente da CPI da DERSA, por exemplo, que possui já confirmação de desvios de dinheiro. Ou por que o governo não usa um espaço de discussão para aumentar o orçamento destinado às universidades?”, disse a deputada.
Mesmo fora do tema, o deputado pelo partido NOVO, Daniel José, vice-presidente da Comissão de Educação na Assembleia, trouxe em sua fala, a defesa da cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Por isso, deputados, estudantes, professores e membros de associações questionam os objetivos da CPI.
Para Bia Borges, diretora do DCE LIVRE da USP e vice presidenta da UNE em São Paulo,
nessa primeira reunião ficou claro que o movimento estudantil vai responder à CPI com muita mobilização. “Hoje cobramos as reais intenções dessa investigação e não podemos aceitar que a CPI seja um disfarce para que seja instaurado um tribunal de exceção na educação, nem caça ao estudantes, aos professores e a liberdade.”
por Sara Puerta

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