Redação

17 dezembro 2018

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Desafios da nova diretoria do DCE UNICAMP

No dia 29 de novembro foi anunciada a vitória da chapa ” Coragem para vencer o medo” (2067 votos), nas eleição para o DCE Unicamp, e que irá dirigir a entidade no próximo ano.

Diante dos desafios que surgem dentro da atual conjuntura política e econômica, a UEE-SP entrevistou membros da direção que foi empossada no último dia 6.

 Em 2019 a entidade prevê ações para fortalecer o DCE frente às ameaças e ataques aos direitos e a educação pública.

A direção do DCE Unicamp optou por debater e construir as respostas à entrevista em conjunto. Confira abaixo!

Na sua opinião, quais são os principais desafios da gestão?

O Brasil já vem de uma situação política bastante complicada desde os últimos anos, nos quais o governo Temer implementou uma série de ataques aos direitos sociais e à educação em especial. O governo eleito de Bolsonaro nem assumiu e já promete uma série de ataques bastante graves. A educação pública “respira por aparelhos”.

No marco desse contexto, acreditamos que o maior desafio seja fortalecer o DCE e aproximar a entidade do cotidiano dos estudantes, para que possamos transformá-lo em ferramenta de resistência. Vale dizer que nossa gestão vai ocorrer no ano com a primeira turma de ingressantes através das cotas étnico-raciais, e, dessa forma, outro grande desafio é fazer valer o direito à permanência estudantil, sendo mais importante do que nunca, em um cenário de crise de financiamento e contingenciamento de verbas por parte da reitoria.

 

Quais os projetos desta gestão? Qual o legado que planejam deixar?

Um dos projetos centrais da nossa gestão é realizar o Congresso dos Estudantes da Unicamp (CEU). Acreditamos que diante do contexto específico do movimento estudantil da Unicamp é necessário um momento de autorreflexão. O CEU envolve delegados eleitos em todos os cursos da universidade, será um momento de grande debate de ideias e pode contribuir decisivamente para armar o movimento estudantil para os desafios colocados para o próximo período.

Além do CEU, queremos revitalizar a sede do DCE e regulamentar sua situação jurídica, colocar a casa em ordem. Também temos uma série de outros projetos específicos como a semana dos 50 anos da revolta de Stonewall e a realização do “Mês Contra o Machismo”.

Nosso legado deve será de reencontro e reconstrução do movimento estudantil. Queremos no final da nossa gestão poder constatar: “estamos mais fortes do que antes”.

 

Como é atualmente o diálogo com a reitoria? E com os estudantes?

A reitoria da Unicamp tem uma relação bastante conflituosa com o movimento estudantil: ainda estão sendo abertos processos disciplinares contra estudantes que participaram da greve de 2016. Além disso, é uma reitoria que apesar de se postular como aparentemente “disposta ao diálogo”, se mostrou intransigente em diversos momentos. Acreditamos que a reitoria da Unicamp é, em grande medida, correia de transmissão da política do governador do estado de São Paulo – algo que não poderia ser muito diferente, dado a estrutura de poder da universidade: nós não elegemos diretamente o nosso reitor, que é escolhido pelo governador através de uma lista tríplice.

Com os estudantes acreditamos que conseguimos estabelecer um diálogo consistente: nossa chapa é composta por mais de 100 estudantes de diversos cursos, fora os estudantes que acabaram se envolvendo na campanha de uma forma ou de outra. A eleição teve um quórum bastante respeitável, mais de 3 mil votos, dos quais tivemos mais de 2 mil. Foi uma vitória importante em um contexto de diversos boicotes, principalmente por parte do Unicamp Livre, as eleições que ocorreram de forma justa e democrática.

Nesse atual momento político, como enxerga o movimento estudantil e atuação das entidades estudantis, como o DCE e o CA´s da Universidade?

O movimento estudantil pode ser uma força social importante na defesa da democracia e dos direitos sociais. No segundo turno observamos como as universidades foram verdadeiras trincheiras contra o Bolsonarismo. Aqui ,na Unicamp, foi um movimento muito importante, e os CAs tiveram papel fundamental ao paralisar seus cursos pelo #EleNão e na campanha do “Vira Voto”, indo para a rua para dialogar com a população durante o segundo turno.

Nesse próximo período acreditamos na importância de fortalecer as entidades e os espaços democráticos de base dos estudantes: só assim podemos fortalecer o conjunto do movimento estudantil.

Tem algum projeto sobre debates, ações, atividades para o posicionamento contra retrocessos, opressões, em defesa da democracia?

Esses com certeza devem ser temas centrais do Congresso dos Estudantes da Unicamp, além disso temos um conjunto de iniciativas específicas para fortalecer o combate às opressões.

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