Redação

20 janeiro 2020

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Estudante da EACH aponta os caminhos para a iniciação científica

Ergon Cugler, graduando do curso de Políticas Públicas da EACH – a USP Leste teve artigos publicados no país e em eventos internacionais.

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Ergon Cugler é estudante de Políticas Públicas da EACH – a USP Leste e durante sua graduação já publicou em três grandes eventos internacionais nos últimos meses.
De acordo com informações do site da EACH, o artigo “The Fake News Impact on the Public Policy Cycle: A Systemic Analysis through Documentary Survey”   (“Os impactos das Fake News nas Políticas Públicas : Uma análise sistêmica atrás de pesquisa documental”), foi publicado nos Estados Unidos, no
14th International Conference on Finance, Banking and Insurance e na Suiça no “22nd International Conference on Post-Truth, Politics, Media and Communication”.  O trabalho foi feito e, conjunto com  pesquisador Aron Burgos, da UFABC.
E ainda, o artigo Spending Reduction and Transparency in Public Administration: The Brazilian Case of Electronic Information System”  (“Redução de Gastos e Transparência na Administração Pública: O exemplo brasileiro do sistema eletrônico de informação”) foi publicado na “22nd International Conference on Governance and Public Administration Reforms and Innovations”, que acontece na Austrália nos dias 20 e 21 de janeiro.
Essa aproximação com a produção científica, de acordo com o estudante, teve início em 2017 ao acompanhar a UNE ( União Nacional dos Estudantes), no  XIX Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes ,em Sochi (Rússia), como membro do DCE FATEC, quando cursava a faculdade.
“Tive a oportunidade de compor a mesa de debate sobre os desafios do ensino superior em meio à Revolução 4.0. “, conta Ergon.
“Quando ingressei na USP, fiquei mais próximo da academia, e no ano passado publiquei um artigo em um evento nacional: o  VI Encontro Brasileiro de Administração Pública (EBAP), em Salvador ¹. Fui o único graduando a apresentar um artigo, uma vez que esse espaço é mais voltado para mestrandos e doutorandos”.
Quanto mais publicações, mais citações em outros trabalhos acontecem. As publicações nacionais  e internacionais o  levaram a ser citado como referência acadêmica em na Mostra de Iniciação Científica da Escola Corálio Soares de Oliveira (SESI), do interior da Paraíba  ²
 Atualmente, Ergon é  bolsista do CNPq pelo Observatório Interdisciplinar de Políticas Públicas da EACH/USP (OIPP), coordenando um projeto de pesquisa sobre o FUNDEB, junto à Pesquisadora Pamela Costa, com orientação do Professor Dr. José Carlos Vaz.

Para a UEE-SP , Ergon compartilhou passos da sua trajetória e aponta os caminhos já na graduação para se aproximar da pesquisa e da academia.

Quais os caminhos que percorreu para a primeira publicação nacional, na Sociedade Brasileira de Administração Pública? 
Como graduando, é comum pensar que para publicar um artigo precisamos de algum professor orientador, ou mesmo um mestre ou doutor para assinar o artigo junto; quando, na realidade, a graduação tem sido uma trincheira determinante para a produção científica de nosso país. Claro que toda experiência e colaboração é sempre bem-vinda, mas foi me lançando ao desafio de publicar por conta própria que me surpreendi com o resultado positivo em um evento de renome para o campo da Administração Pública. Basicamente pesquisei a estrutura de artigos aceitos nas edições anteriores do evento, reuni os aprendizados que tive com meus professores ao longo do curso na USP, localizei um tema que pensei ser de relevância para o tema do evento e, finalmente, escrevi – com erros e acertos que fui ajustando ao longo da pesquisa.
 
Quais os seus próximos passos?
Espero um dia poder lecionar. Enquanto isso, penso em continuar produzindo. Atualmente estou no Observatório Interdisciplinar de Políticas Públicas (OIPP) e ainda este semestre publicaremos os resultados de nossa investigação sobre o Fundeb. A expectativa do grupo é colaborar com o debate sobre o Fundo no Congresso Nacional.
Como  enxerga a vida do bolsista nesse atual momento do país?
Um pesquisador da graduação recebe uma bolsa de R$400,00; valor que há anos não tem reajuste, que não conta com décimo terceiro ou direitos trabalhistas e que demanda desse pesquisador uma articulação diária de seus horários – levando alguns a dedicarem até 12 horas em um dia de laboratório. O que alguns chamam de balbúrdia, na realidade significa a sobrevivência de pesquisas sérias para combater diversas doenças; ou de investigação de novas técnicas; ou mesmo de produções que visam melhorar a vida do povo.Para além das ameaças mais explícitas dos cortes, a cruzada anticientífica realizada pelo atual governo tem dificultado cada vez mais a implementação de políticas sérias e comprometidas com a melhoria da vida do povo. Do Inpe, à censura da Ancine; do desmembramento do Ibama aos cortes no Censo 2020; Com tanta tragédia e um presidente obscurantista, a penalidade não cai a quem pratica o desmatamento, por exemplo, mas ao cientista que o traz à luz.Neste cenário – e como sempre na história – ser pesquisador e combater o anticientificismo significa resistência.

Qual o conselho para quem está na graduação e quer ser bolsista e seguir os seus caminhos?

Não deixe o obscurantismo que toma conta do país cooptar a luz que ainda resiste. A pesquisa – assim como os movimentos de base e as organizações – é uma trincheira importantíssima para melhorarmos as condições de vida de nosso país e do mundo.

Procure a pró-reitoria ou secretaria de pesquisa da sua Universidade, pergunte sobre as bolsas existentes. Procure Revistas, Periódicos, Congressos, Simpósios, Conferências e Encontros com submissão de artigo em aberto; Peça ajuda de amigos e professores, se necessário. Se preferir participe dos eventos como observador, até se sentir mais preparado para produzir.

Por fim, leia sempre que possível; leia ainda mais; veja vídeos e ouça podcasts; e organize todas as angústias e inquietações que surgirem para uma rebeldia consequente chamada ciência.

   ¹(Artigo: Modernização através do Processo Eletrônico no Município de São Paulo: Racionalização de Gastos Públicos e Transparência Documental; https://ebap.online/ebap/index.php/ebap/viebap/paper/view/404). Fui o único graduando no evento a apresentar artigo, geralmente esses espaços são mais ocupados por mestrandos e doutorandos.

² https://doity.com.br/mostra-de-iniciao-cientifica–mic-2019/atividade/projeto-7-dessalinizacao-da-agua

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