Redação

02 julho 2020

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Estudantes se mobilizam contras as demissões de professores na UNICID e UNINOVE

Estudantes de universidades privadas têm se mobilizado contra as demissões de professores nas últimas semanas. Na Uninove uma ampla manifestação aconteceu contra as 600 demissões de professores via mensagem pop-up.

Segundo os estudantes da instituição, no lugar da aula, foi oferecida uma palestra motivacional e causou revolta nos universitários.

O assuntou ficou nos trending topics do twitter durante vários dias da semana passada.

A UEE-SP e o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSol), organizaram lives em solidariedade e para amplificar a luta pelos empregos dos docentes

Já no dia 30 de junho, última terça-feira, foi a vez da UNICSU, anunciar que a demissão de cerca de 30% do quadro de professores

De acordo com a estudante de Psicologia do campus de Paulista, Rafaella Barbosa Melliado, só no seu curso foram 18 professores perdidos e a carga horária  das aulas reduzida de 80 h para 60h.

“Tentamos diálogo com a universidade para reduzir a mensalidade, mas o argumento sempre era que o objetivo era manter o salário dos professores”, conta..

Em carta à reitoria com posicionamento contrário sobre a decisão da universidade, os estudantes de psicologia afirmam que não irão fazer rematrícula se não houver diálogo (confira abaixo na íntegra)

Alunos da UNICSul convocaram um ato para essa sexta-feira, 03.07, às 13h, na reitoria que fica no Tatuapé ( Rua Cesário Galero, 448)

No dois casos, o Sinpro-SP (Sindicato dos Professores de São Paulo) recorreu à justiça para barrar as demissões e aguarda decisão.

Em nota, o sindicato diz valia os casos de demissão em massa como “fruto de uma de uma reestruturação, sustentada no enxugamento da folha de pagamentos e dos serviços e aumento das margens de lucro, em detrimento da qualidade de ensino”.

Para a entidade, a pandemia está servindo de laboratório para a aceleração dessa reestruturação, que só se tornou possível pela combinação de novas tecnologias e mudanças na legislação educacional e, sobretudo, pela conivência do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação.

*****

São Paulo, 29 de Junho de 2020.

 

À Coordenação e Reitoria da Universidade Cruzeiro do Sul,

 

Nós estudantes de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, fomentamos uma série de diálogos sobre o desmonte educacional que nosso curso vem sofrendo. Tendo início pela alteração na grade curricular sem diálogo prévio conosco, haja vista que esta mesma cláusula se encontra em contrato e toda e qualquer alteração precisa ser notificada com antecedência.

Houve a redução da carga horária de matérias de suma importância, sem contar a experiência horrível que nós passamos para realizar as provas de conclusão semestral,sendo assim, ocorreu uma queda evidente na qualidade de ensino. Foram solicitados reduções na mensalidades ou alternativas de suspensão de estágios e supervisões.

Conforme o Conselho Federal de Psicologia, não se faz Psicologia a distância. Hoje, sendo pegos de surpresa pela demissão em massa de mais de quinze professores, sendo que desde a pandemia quando soubemos que não iríamos retornar às aulas presenciais, procuramos um diálogo com a Universidade referente a possibilidades de acordo, pois grande parte dos alunos(as) ficaram desempregados(as), e solicitamos adiamento de estágio devido a muitos se sentirem lesados por não realizarem as práticas de forma presencial.

Soma-se a isto o sistema online defasado que prejudica o aprendizado, em conjunto com internet não ser algo de fácil acessibilidade para a maioria dos(as) alunos(as). Esse corte de diversos docentes com desculpa de “redução de custos”, sabendo-se que foram demitidos(as) professores(as) com mais tempo de casa, para que sejam contratados outros com salário reduzido.

Estes mesmos docentes se dedicaram a um ensino de qualidade para nossas turmas, apesar das adversidades acometidas neste momento. Vale relembrar que a educação se trata do projeto de desenvolvimento soberano de nosso país, e tendo como responsáveis as universidades formando profissionais habilitados e capacitados para o exercício responsável da profissão .

Não aceitamos a forma que o processo foi conduzido pela universidade, sem nenhum contato conosco e mercantilizando mais uma vez a educação, violando nossos direitos previamente definidos por contratos, considerando que somos clientes da instituição, e a forma precária na qual vêm sendo conduzidas as políticas do ensino superior privado em nossa instituição.

Desta forma, assim como vocês, nos posicionamos dizendo que não haverá rematrícula dos estudantes até que diálogos sejam efetivados, visto que inicialmente o posicionamento para não serem realizadas reduções nas mensalidades é de que não haveria cortes no quadro de funcionários, e mesmo ainda sem reduções os cortes foram feitos, assim exigimos que esclarecimentos sejam realizados, enquanto consumidores do serviço prestado pela Instituição Cruzeiro do Sul.

Solicitamos urgentemente uma reunião de estudantes em conjunto com a Coordenação do curso e a Reitoria, como forma de esclarecer esse desmonte educacional que estamos sendo acometidos. Soluções e propostas financeiras também precisam ser dialogadas devido a defasagem de ensino que sofremos esse semestre, especialmente os(as) alunos(as) que tiveram suas práticas obrigatórias remanejadas de maneira ineficiente. Iremos comunicar todos os órgãos possíveis como Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON), Ministério da Educação, Ministério Público e o Conselho Federal de Psicologia, referente esse desmonte a fim de obtermos soluções tangíveis para a não defasagem educacional e profissional dos estudantes de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul.

Por fim, sem diálogo, sem rematrícula.

Atenciosamente, Estudantes de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul.

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