Nossa História

70 ANOS - EM DEFESA DOS ESTUDANTES

A trajetória da UEE São Paulo é marcada por muitas lutas, conquistas,  resistência e glórias. No dia 25 de janeiro de 2019, a entidade completa 70 anos  dedicados à defesa dos direitos dos estudantes e da democracia do país. Contar a história da UEE-SP é contar a história do Brasil sob o viés dos estudantes, da educação e das mobilizações populares.

Honestino Guimarães

Ex-presidente da UNE

Prisão de estudantes

pela ditadura durante o congresso da UNE Ibiúna

União da Juventude atual

Lutando pelos direitos dos estudantes

Final da década de 40 e início da década de 50:

COMO TUDO COMEÇOU

Com a criação da UNE em 1937, os estudantes de São Paulo também se organizaram e criaram a União Estadual dos Estudantes, em 25 de janeiro de 1939.

 O estudante Rogê Ferreira foi eleito o primeiro presidente, no momento em que a grande batalha pela defesa da soberania nacional era travada na campanha “O Petróleo é nosso”, que posteriormente levaria à criação da Petrobras.

Na década de 50 os estudantes ganharam força, reivindicando melhorias no ensino e na qualidade de vida da população, realizando protestos e greves. já nessa época, a bandeira pela meia entrada e pela meia tarifa nos transportes tomava forma.

Década de 60: A resistência à ditadura militar

No ano de 1962, José Serra foi eleito presidente da UEE-SP com o apoio do JUC (Juventude Universitária Católica), promoveu mais eventos culturais e debates políticos e participou de diversos congressos por muitos estados, com isso conquistou mais visibilidade para a UEE-SP.

O  golpe militar de 1964, e consequentemente o Governo Militar,  trouxe consigo o maior desafio para todos os movimentos estudantis do Brasil: prisões, perseguições, torturas e mortes de centenas de estudantes.

Mesmo tendo sido posta na ilegalidade pela ditadura no ano de 1965, a UEE-SP  não se intimidou e inovou na maneira de protestar e preparar os comícios, atos e reuniões, realizavam manifestações e ocupações relâmpagos.

Manifestaram contra o corte de verba para a educação, contra o acordo entre o governo brasileiro e norte americano que pretendia “americanizar” as universidades do país, o MEC-USAID, e contra a entrega de recursos naturais aos estrangeiros promoveram a campanha “O Brasil não exportará o futuro”.

No Congresso da UEE-SP, em 1967, a estudante Catarina Melloni empatou no número de votos com José Dirceu, e o Congresso efetuou o desempate elegendo Dirceu como o mais novo presidente.

A repressão tornou-se cada vez mais cruel, e em 1968 o estudante secundarista José Guimarães foi morto por membros do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) e do DOPS, em um conflito entre estudantes da Universidade Mackenzie e da Universidade de São Paulo, na Rua Maria Antônia.

Também no ano de 1968 foi realizado o Congresso da UNE em Ibiúna, em que 1.240 participantes foram presos.

Década de 70: Morte de Alexandre Vannucchi e reconstrução da UEE-SP

Em 1973,  um marco dos anos violentos da ditadura militar: mais um estudante morto. Alexandre Vannuchi Leme, aluno de geologia da USP, foi preso, torturado e assassinado pelos agentes do DOI-CODI/SP.

A fundação do DCE-Livre da USP- Alexandre Vannucchi Leme, no ano de 1976, marca a reconstrução do movimento estudantil paulista. E em 1977 a reconstrução da UEE-SP e da UNE, na passeata da USP pela cidade de São Paulo, e no evento conhecido como “a invasão da PUC”, momento em que marcaria o inicio da redemocratização do país.

Década de 80: Diretas Já

O enfraquecimento do regime militar fez com que os estudantes voltassem às ruas, em eventos como os da Praça da Sé e Vale do Anhangabaú, que reuniu milhares de pessoas, na luta pelas “Diretas Já!” em 1984. No mesmo ano a UEE-SP realizou eleições para a nova diretoria, tendo como vencedora a chapa com o mesmo nome do movimento nacional “Diretas Já!”.

Década de 90: Caras Pintadas

Em 1989, a primeira eleição presidencial desde 1964, levou milhões de brasileiros às urnas, elegendo Fernando Collor de Mello.

As diversas denúncias de corrupção, bem como o caráter neoliberal e entreguista do seu governo, mobilizaram os estudantes caras pintadas na campanha “Fora Collor”, sendo a maior concentração de estudantes localizada em São Paulo, com manifestações de até 300 mil pessoas. Na época a UEE-SP era presidida por Flávio Patrício. A campanha, resultou no impeachment de Collor, em 1992.

A luta contra o neoliberalismo e as privatizações das universidades seguiram no mandato de Fernando Henrique Cardoso. A UEE-SP realizou campanhas como “Disque-Mensalidade” a fim de receber denuncias contra as irregularidades cometidas pelas instituições contra os estudantes.

Essa era uma das principais pautas da gestão eleita no segundo Congresso da UEE-SP, em 1995. Que teve também a missão de dar prosseguimento ao processo de reconstrução do movimento, presidida pelo então estudante de arquitetura da Unesp, Eder Silva.

Anos 2000: Novos Tempos

A eleição do presidente Lula, em 2002, possibilitou a retomada do diálogo entre os movimentos estudantis e o governo Federal. Os novos desafios tinham como pauta a discussão sobre a Reforma Universitária, bem como as políticas de democratização do acesso à universidade, como o ProUni, a Reserva de Vagas. A UEE-SP realizou uma caravana por mais de 30 cidades. O então presidente era Gustavo Petta, gestão que se iniciou em 2001.

Em 2003 a segunda mulher eleita na UEE-SP foi Renata Petta, que deu seguimento aos projetos e pautas do movimento estudantil, defendia a ampliação do ensino público, regulamentação do ensino privado, eleições diretas de reitores, paridade nos conselhos universitários e financiamento para a assistência dos estudantes. Durante o seu mandato, no ano de 2004 o ProUni foi aprovado no país.

Por dois mandatos consecutivos Carlos Chagas presidiu a UEE-SP, nas gestões de 2005-2007 e 2007-2009, em que o grande objetivo de suas gestões era a democratização da educação.

Os debates sobre os recursos do pré-sal serem revertidos para a educação, iniciaram em 2009. A UEE-SP, presidida por Carlos Eduardo Siqueira, e a UNE estabeleceram uma conexão sobre o tema. A entidade paulista apresentou a PEC nº 9 na Alesp, e conseguiram o apoio de 43 parlamentares, apesar da contrariedade do governo paulista.

Também no ano de 2009 em mais um Congresso da UEE-SP, ocorreu a realização do “Projeto Resgate Histórico dos 60 anos de UEE-SP”.

No 10º Congresso da UEE-SP, Alexandre “Cherno” Silva foi eleito e nos dois anos de mandato lutou também pelos 10% do PIB e 50% do Fundo Social do pré-Sal para a educação, além do Plano Estadual para a Educação e políticas de permanência aos estudantes bolsistas do ProUni. Esteve presente no movimento #OCUPEBRASÍLIA , onde conquistaram por unanimidade na Comissão de Educação do Senado do PLS 138/11, a aprovação de lei que destina às áreas de educação e de ciência e tecnologia metade dos recursos do Fundo Social do pré-Sal.

Em 2013 o 11º Congresso da UEE-SP aconteceu em Ibiúna, e promoveu o encontro de gerações do movimento, estiveram presentes e foram homenageados estudantes que foram presos em Ibiúna no ano de 1968, como José Dirceu, José Genoino, Franklin Martins, Luiz Eduardo Curti, o ator José de abreu, entre outros. Além das homenagens, diversos atos e mesas de debates foram realizados, tais como a luta pela revisão da lei da anistia.

No mesmo Congresso foi eleita a nova e atual presidenta da UEE-SP, a estudante de economia, Carina Vitral, que iniciou a sua gestão em um importante período da história do país, as manifestações de junho de 2013.

Uniu-se com estudantes da USP, em assembleias e manifestações a favor da democratização da universidade, com eleições diretas para reitoria e mais consultas públicas. Novamente, os estudantes foram duramente reprimidos pela polícia militar.

Esse ano iniciou com a greve dos professores, funcionários e estudantes das Fatec’s, que com o apoio do movimento estudantil teve a amplificação das pautas, solicitaram um plano de carreira adequado, e enfim conquistado, e o aprimoramento da infraestrutura dos prédios, mais assistência aos alunos, com bolsas de iniciação científica, pautas ainda em andamento.

A atual gestão comemora a aprovação do Plano Nacional da Educação, projeto que tramitava há mais de quatro anos no Congresso Nacional, e prevê 10% do PIB destinados à educação. E segue na luta com projetos em andamento como a revitalização do Corredor Vergueiro, com um avanço previsto para o mês de agosto, o projeto de permanência estudantil “Quem entrou quer ficar”, além de projetos de assistência estudantil e bolsas de iniciação cientifica.

Gestão 2015 – 2017

Em julho de 2015, foi realizado em Campinas, 12º Congresso da UEE-SP e dois fatos inéditos aconteceram após a eleição: pela primeira vez aconteceu uma sucessão entre duas mulheres: Carina Vitral passou o cargo para Flavia Oliveira, sendo a primeira estudante negra a ocupar o cargo.

Flavia assumiu a direção da entidade e uma intensa mobilização pela aprovação do PEE (Plano Estadual de Educação) que apresentasse metas reais para o aprimoramento da educação e contra a Reorganização das Rede Estadual de Escolas.

Em 2016 a UEE-SP tomou às ruas em defesa da democracia, contra o golpe parlamentar e midiático.