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06 junho 2014

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Não vamos pagar mensalidades

“Seis em cada dez alunos da graduação da USP poderiam pagar mensalidade”, é dessa forma que a Folha de S. Paulo abre sua matéria de capa da última segunda (2). E continua “em crise, universidade arrecadaria 44% do total que recebe do Estado se adotasse modelo com cobrança e concessão de bolsa”.

“Seis em cada dez alunos da graduação da USP poderiam pagar mensalidade”, é dessa forma que a Folha de S. Paulo abre sua matéria de capa da última segunda (2). E continua “em crise, universidade arrecadaria 44% do total que recebe do Estado se adotasse modelo com cobrança e concessão de bolsa”.

Esta manchete causa arrepios àqueles que lutam em favor da educação pública. O jornal de forma equivocada faz uso da grave crise financeira que vive a universidade para reabrir o debate sobre a cobrança de mensalidade e justifica assim o que discordam por princípio: o fortalecimento da universidade pública.

O problema da universidade não é a falta de mensalidades, mas sim as más-gestões que usaram os recursos disponíveis de forma errada, isso se evidencia nos problemas da EACH (USP Leste) e as irregularidades nos gastos que fazem as próprias contas da gestão Rodas serem rejeitadas pelo TCU. Somado a isso, fazem falta às estaduais paulistas sucessivos recursos que o governo estadual deixou de repassar que segundo as contas do Fórum das Seis somam 540 milhões só em 2013.

Entretanto, os dados da mesma matéria nos revelam o problema de fundo da universidade paulista, porque 64% dos estudantes da USP tem renda familiar superior a cinco salários mínimos, e destes 34% superior a dez salários, enquanto a renda média per capita da classe média é R$576,00, numa família com quatro pessoas a renda familiar seria de três salários mínimos? Porque se trata de uma universidade elitizada, onde podem entrar aqueles que tiveram oportunidade de estudar em bons colégios particulares e fazerem cursinho pré-vestibular.

Essa sim é a verdadeira crise da universidade, o distanciamento do seu povo. Por isso defendemos a reserva de vagas de 50% para estudantes oriundos de escola pública com recorte racial, quando isso acontecer o estrato social da universidade vai mudar e nem as estatísticas poderão ser manipuladas para justificar a cobrança de mensalidades.

Os investimentos devem aumentar para sustentar a qualidade e sustentar a expansão necessária, por isso a reivindicação de aumento para 11,6% do ICMS sem os descontos indevidos é a palavra de ordem para superar a crise.

Lutamos por uma educação pública, gratuita e de qualidade na USP e em todas as instituições de ensino do Estado. Não aceitaremos qualquer tipo de mercantilização em nossas universidades!

Carina Vitral, Presidenta da UEE-SP e Thiago Cassis, membro do Barão de Itararé e jornalista da UEE-SP

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