Redação

16 setembro 2019

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 O que há por trás da reestruturação de departamentos da Unesp

Unesp propõe fusão de 50 departamentos; estudantes fazem paralisação entre os dias 16 e 20 de setembro no Instituto de Artes

 

No dia 10 de setembro, o Conselho de Pesquisa, Ensino e Extensão (CEPE) da UNESP,  orientou a reitoria da universidade a seguir o estatuto da instituição que diz que nenhum departamento pode funcionar com menos de 10 professores.  Com isso, foi aprovada a redução de 50 departamentos da UNESP. Hoje a universidade conta com 180 departamentos e com a medida, serão apenas 130.

Dessa forma, por conta de um déficit insustentável na contratação de professores efetivos, o Instituto de Artes terá que unir os departamentos de Artes Cênicas e Visuais, apresentando o modelo de junção até o dia 15 de outubro –  ou seja, um mês para a criação de um “novo” departamento.

Uma vez que os professores ministrarão aulas que não são suas áreas de formação e pesquisa e se iniciará um círculo vicioso sem a contratação de novos professores, já que a junção dos dois departamentos somará mais de dez docentes, os cursos tendem a perder qualidade em curtíssimo prazo.

Também não há clareza de como ficará a divisão de verbas entre os departamentos e os projetos de extensão, gerando um cenário de incertezas aos estudantes.

A Adunesp (Associação de Docentes da Unesp) publicou uma nota em seu site que diz: “A partir de 2014, o ritmo de contratação caiu a praticamente zero. Em consequência disso, esses departamentos veem diminuir o número dos seus docentes e, agora, terão que se “adaptar” à “nova” realidade produzida pela inépcia da Administração Central da Unesp, que tem se mostrado incapaz de buscar os recursos públicos necessários para o seu financiamento.

Trata-se de uma decisão que impõe um processo de automutilação da Unesp, seguindo uma lógica frequentemente utilizada pela Reitoria.”, chamando toda a categoria docente a mobilizar contra a decisão, que foi consequencia da diminuição de contratação.

Por que faltam professores?

A falta de professores decorre da aposentadoria, falecimento ou saída dos docentes do Instituto de Artes, sendo que os que ainda estão, são sobrecarregados com a orientação de pesquisas específicas 

O problema se agrava ao suprir a falta com a contratação de professores temporários, em vez de abrirem editais de contratação efetiva.A situação tornou-se ainda pior de um ano para cá, uma vez que professores temporários não podem ser contratados repetidamente.

De acordo com Rondinely Lima, estudante da Licenciatura em Arte – Teatro e membro do Diretório Acadêmico Manuel Bandeira, como solução, estudantes do programa de doutorado têm ministrado as aulas, ganhando uma bolsa de R$ 400, aproximadamente.

“Além disso, a falta de contratação de servidores técnico-administrativos prejudica o funcionamento de setores básicos do campus, como biblioteca, serviço de Xerox e pólo de informática. O período noturno mesmo não conta com nenhum desses serviços em funcionamento.”, conta o estudante.

Rondinely ainda conta que o posicionamento dos estudantes é de enfrentamento e total oposição a junção dos departamentos. “Também defendemos a contratação imediata de novos professores e técnicos-administrativos por meio de concurso público permanente. E também somos contrários aos cortes de bolsa de permanência estudantil e pesquisa”, explica o estudante.

Durante essa semana, 16 e 20 de setembro, os estudantes aprovaram em Assembleia, uma paralisação contra a redepartamentalização.

 

Agenda de Mobilização dos Artistas-Estudantes

– Paralisação dos artistas-estudantes do Instituto de Artes da UNESP de 16 a 20/09.
– Ato na Reitoria dia 19/09. 17h
– Assembleia Geral com indicativo de GREVE 20/09, às 17h no Hall.

* Fonte:  Diretório Acadêmico Manuel Bandeira – Instituto de Artes da Unesp

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